“Sometimes it feels better not to talk. At all. About anything. To anyone.”
— Breaking Bad
“Sometimes it feels better not to talk. At all. About anything. To anyone.”
— Breaking Bad
Não sei como eu começo esse diário, acho que nunca vou saber o porque resolvi começar a escrever aqui de novo. Talvez seja pro meu eu do futuro ler e talvez minha mente tenha melhorado.
Acho que só vou parar de escrever quando eu me sentir melhor de novo.
Depois que eu perdi meus dois melhores amigos, conversar com alguém virou algo tão raro, eu tenho minha namorada e ela é minha melhor amiga, mas as vezes me falta coragem de ter assuntos que eu sei que vão machucar ela. Como eu falo que tentei me matar varias vezes durante a pandemia, principalmente quando eu peguei o vírus e dois dias depois meu avô morreu, e seis meses depois minha mãe teve câncer, e essa enxurrada de sentimentos ruins foram piorando, que as duas pessoas que diziam ser as que me protegeriam do mundo, me deixaram no meu pior momento.
Que eu perder meu emprego logo em seguida disso tudo, uma coisa que eu lutei tanto pra ter e que me tiraram sem aviso, sem motivo.
Não consigo falar nem metade das coisas ruins que meu cérebro me permite pensar.
Talvez a terapia ajude, ou talvez eu só fique como antigamente, nos meus 15 anos, que o remédio me impedia de ser eu mesma, que eu ficava naquele quarto escuro vendo os dias passarem. Ou talvez eu só esteja assim de novo e de alguma forma eu tô me enganando todos os dias, me forçando a levantar da cama, ou talvez só seja a presença da minha namorada ali e a nossa gatinha. A Mavis foi a presença mais linda colocada na minha vida depois de tudo isso, ela é perfeita, a forma que ela brinca com qualquer coisa me faz querer sempre tá ali pra ver ela só sendo ela.
Acho que por hoje é só. Acho que por hoje eu não vou morrer. Só por hoje.
